silenciosa

tantos dias sem escrever, pra ver se cometo menos erros.

continuo obcecada pelos meus erros. quase pra enlouquecer de verdade.
eu (quase) sei o q devo fazer, como devo fazer, o q devo falar, o q não devo falar
mas essas 'recomendações' ainda não estão internalizadas de verdade.
daí bate a doidice. será q preciso realmente ser assim tão comedida?
será q eu não posso errar?
se eu for mais descomprometida, como há algum tempo, eu errarei menos?
ou me consumirei menos?

enfim. queria ao menos sentir menos culpa.

mas tô numa paranóia louca, achando q sempre tem alguém apontando o dedo pra mim.
pensando q sempre terá alguém chateado. alguém triste. alguém magoado.
mesmo qdo o meu deslize é acidental. qdo foi uma palavra dita de forma equivocada - mesmo q o meu sentimento bom esteja lá, intacto.
na minha desorganização de idéias, meto os pés pelas mãos mais vezes do q gostaria.

se eu parar de me sentir assim, talvez os outros parem de me culpar.
eu não preciso me culpar previamente.
mas não consigo viver só o instante.
ainda não consigo.

o instante.
com direito a arrependimento depois.

pq eu erro mesmo. diariamente.
erro e conserto. erro e deixo errado. erro e consertam por mim.
erro e nem vejo. erro e me acabo de culpa.
erro
erro
erro
por não saber tudo q deveria
por não saber o q fazer
por achar q sei, qdo não sei
erro por estar nervosa, deprê, carente
erro por concentrar em vez de dividir
erro por não assumir
erro por escrever
por falar
por calar
por ser muito emotiva
e tb por ser meio cretina.

sorry...

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quero ser a flor do capibaribe

sobre o trabalho.
somente anteontem eu entendi.

fiquei fora do corpo por alguns momentos
daquele jeito q já relatei antes, qdo consigo me observar de fora pra dentro (ou melhor, de dentro do coração pra fora da mente).

fiquei fora do corpo e consegui reelaborar o q sinto.
enxerguei com mais clareza minha própria aflição.

talvez não seja a angústia da imperfeição q me incomoda.
ela incomoda, é verdade, mas não é pos isso q eu mais sofro.

eu sofro pq me vejo dividida em duas pessoas.
aquela q acha q tem boas intenções
e a outra, q tem se tornado cada vez mais durona, quase cruel.

dividida entre aquela q quer a horizontalidade
e a outra q assume discursos reacionários q nem são dela. a mesma q repete lógicas injustas.

decididamente,
eu não quero passar para o lado negro da força.
não amadureci o suficiente para articular com todas as forças sem mudar minha natureza.
ainda sou permeável demais.
e não quero me arriscar a mudar.

são quase dois anos nessa peleja. ou talvez um pouco mais.
guerra de braço.
de argumentos.
de tempo.
e eu, muitas vezes assumindo a postura mais pelega do mundo - sei lá pq!
repetindo idéias em q nem acredito - sei lá pq!
dominada, total.

não quero ficar disputando uma estação a mais de trabalho, uma hora a mais de ilha de edição, um metro quadrado a mais na sala, a divisão de mais um projeto.
essas disputas têm sido cada vez mais agressivas.
e eu estou me tornando agressiva.

mas não quero ser agressiva. não quero entrar nessa lógica.

qdo eu estava mais próxima do movimento feminista e do movimento de juventude, conversei algumas vezes com algumas amigas, sobre como as pessoas acabam mudando de personalidade, de propósitos, de discursos. falávamos de política, mas isso se aplica a tudo.

a medida q o tempo passa, corremos o risco de nos embrutecer.
e eu ainda não quero embrutecer.

e eu ainda quero ser um flor.

flor do capibaribe.

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desorientada

achei q estava mudando. quase mudada. quase no caminho certo.
mas a mudança é algo contínuo. então nunca estarei quase mudada.
estarei sempre no processo.

mas como posso não saber minha própria rota?

mudo conforme os desconfortos, os desencontros.
caio no meus auto-enganos.
perco o rumo.
me engasgo.

.

dormi quase nada de ontem pra hoje.
fiquei dividida entre a insônia e os sonhos turbulentos.
meu sub-consciente nunca me deixa esquecer das coisas q não fiz bem.
eu nunca me esqueço das decisões e atitudes estúpidas q tive no trabalho.
das palavras estúpidas e atitudes mesquinhas com aqueles q amo.

sinceramente, eu achava  q pedir desculpas era uma boa alternativa.
mas na verdade, é praticamente nada.
as pessoas não conseguem se desprender da mágoa e do ressentimento.

pode parecer reducionismo meu, achar q um 'sinto muito' pode mudar o planeta.
não muda.
do meu 'sinto muito' eu deveria mudar interiormente.
e as coisas melhorariam.
mas não é verdade.
a resistência dos outros quase me obriga a continuar em posição de ataque.
e mesmo minhas desculpas perdem o valor. ficam no limbo.


trabalho.
no trabalho, dá vontade de desistir.
eu não consigo contornar as desigualdades, os obstáculos, as frustrações.
eu me atrapalho mais. eu fico no meio do caminho. eu não me sinto dando certo.
me sinto apenas administrando conflitos e agendas e processos inadequados.
e muitas vezes administrando mal.
então me dá vontade de simplesmente desistir, sabe? me mudar.

mas essa vontade me assusta pq é quase como uma covardia.
e eu me apavoro com a simples percepção da minha própria fraqueza.

na minha cabeça, o trabalho me consome muito.
administrar o trabalho dos outros me consome muito, pq eu realmente queria proporcionar coisas bacanas pra todo mundo.
talvez tenha um Q de onipotência nisso q digo.
e inclusive isso me consome: a tentativa de superar essa sensação tão pesada,
a tentativa de não me importar tanto,
de deixar cada um encontrar sua própria forma de suportar ou curtir o trabalho.

o trabalho me consome
e eu não me dedico à minha vida.
daí minha vida pode ser incrivelmente feliz num dia
e uma tristeza profunda no outro.

e sobre isso eu não posso falar.
parece até algo q está em segundo plano, mas não está.
por ser tão importante, muda meu astral pra todas as outras coisas.
e meu astral está confuso. desorientado.

.

não consegui levantar da cama,
estava acordada desde 5h, mas não consegui me mexer.
não tive vontade de ir ao balé.
eu estava acordada, poderia ir.
mas não fui.
eu simplesmente fechei os olhos pra tentar dormir ao som das cigarras.
devo ter adormecido por volta das 6h - até às 9h.
levantei e fui correr no parque.
mas o o parque estava fechado.

contornei a situação.
Garbage no playlist
e muitos minutos de esteira, bike e transport.

desculpa admitir, mas nada disso faz minha vida mais feliz.

.

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terra firme

eu simplesmente não consigo me adaptar.
pronto. não consigo.
estou angustiada. sinto como se ninguém em entendesse - e não devem entender mesmo.
é como se me faltasse a razão.
e deve faltar mesmo.
eu tenho esse defeito geminiano de tentar ter sempre razão.
mas eu queria simplesmente aprender a ficar calada.

mas calar é como não sentir.
e o silêncio me afoga.
eu me afogo no meu silêncio.
eu não consigo calar.

falar é como nadar - só q eu sempre nado pra lado errado.
geralmente nado sozinha.
e esse nado torna-se tão ruim qto me afogar.
é dor do mesmo jeito.
nadar e afogar.

eu queria simplesmente terra firme.

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©2009 Élida Alexandre Por Blogger da Fulaninha